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Inadaptação

ACIDENTE LIMITA A VIDA DE FUTURA ESTUDANTE DE PSICOLOGIA DA UFPE, MAS NÃO TIRA A VONTADE DE LUTAR PELOS SEUS DIREITOS DENTRO DA UNIVERSIDADE

Por Luciana Martins
lu_martinssilva@hotmail.com
Muitas vezes a vida é interrompida por um acidente inesperado ou a ela é adicionada uma série de dificuldades que a torna limitante. O Estado de Pernambuco é um dos líderes em acidente de trânsito e devido a essa estatística, torna-se grande o número de pessoas com deficiência física e dificuldade para circundar nas cidades, inadaptadas estruturalmente para esse grupo de indivíduos. Toda essa inadaptacão pode ser vista ao se percorrer o Campus da Universidade Federal de Pernambuco, onde se pode ver várias pessoas com dificuldade de locomoção em meio a calcadas esburacadas e ausência de rampas para cadeirantes.

Ana Cecília de Souza, 23 anos, natural da cidade de Toritama e a oitava filha de uma família de sete irmãos, fará parte desse contingente de pessoas que enfrentam dificuldades para estudar dentro da UFPE, mas luta por uma universidade melhor estruturada. Aos 16 anos, quando retornava de seu colégio, em Caruaru, acompanhada de sua irmã e de uma amiga, Ana sofre um acidente de carro e uma lesão na medula espinhal, o que a impossibilita de andar. A jovem vê sua vida de adolescente ser interrompida para o início de uma nova, totalmente modificada. Devido a idas e vindas a hospitais e clínicas de fisioterapia no Recife, ficou difícil para ela freqüentar a escola, por isso teve de interromper seus estudos por cinco anos. Paula, irmã mais velha de Ana, abdicou de sua rotina normal e veio morar com ela em um bairro da capital pernambucana para ajudá-la no dia-a-dia.

 Depois de muitos ganhos em sete anos de tratamento e recuperação, Ana tem uma vida normal, mas admite que ainda precisa do auxílio das pessoas para a realização de determinadas tarefas como ir à faculdade, ou a qualquer lugar longe de casa. No de 2006, a jovem conseguiu retornar e concluir os estudos num colégio particular do Recife, o qual teve que se adaptar para atender estudantes portadores de deficiência depois que Ana reivindicou mudanças estruturais. Ela conta que as reivindicações foram válidas, pois o curso transcorreu sem maiores transtornos e a mesma pode contar com a ajuda de várias pessoas do colégio. Em 2007, Ana prestou vestibular para a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e para a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tendo apenas como diferença na prova um tempo adicional para a elaboração da redação. Conseguiu passar nas duas, mas optou pela UFPE e pelo curso de Psicologia, pois já estava estabelecida no Recife.

Para conhecer a estrutura do Campus e reivindicar, se preciso melhorias, Ana começou a visitar a Universidade em Abril deste ano e não encontrou muitas dificuldades no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), onde irá ter 90% das aulas, apesar de ser a primeira cadeirante do prédio. Já no Departamento de Anatomia, onde pagará também algumas cadeiras, viu que precisarão ser feitas algumas mudanças, como no caso dos elevadores que se encontram quebrados e terão de estar prontos até agosto, mês que recomeça as aulas dos alunos veteranos e começa o ano letivo para Ana, que passou no vestibular para a segunda entrada.

A UFPE se comprometeu em melhorar alguns pontos, como a recuperação dos elevadores e em aplanar calçadas e lombadas após um relatório de reivindicações da jovem. Ana Cecília fala que a conquista do vestibular foi apenas o ingresso para outros futuros desafios e barreiras que terá de ultrapassar. “Busquei alcançar meus objetivos e ajudar outras pessoas, fazendo com que todos enxergassem que mesmo após limitações a vida continua”, relata. A jovem conta também que percebeu várias pessoas do Campus dispostas a ajudarem, “a meu ver, a Universidade é um dos locais que inclui os deficientes no meio social, defendendo seu dever cívico e seu direito à educação”, completa.

Ainda segundo a mesma, as dificuldades não se limitam apenas dentro do Campus, mas também se estende ao transporte coletivo de passageiros, o qual deixa muito a desejar por não possuir quantidade suficiente de ônibus adaptados para facilitar a locomoção de pessoas com dificuldades, sendo essa uma das suas reivindicações. Ana acredita que a adaptação de lugares públicos para atender a acessibilidade de todos, sem distinção, promove o sentimento de acolhimento por parte daqueles com alguma deficiência física. “Estou lutando não só para que eu usufrua todo e qualquer espaço, mas também para que outras pessoas não sejam tolhidas do seu direito de ir e vim”, finaliza. 
 

4 Respostas

  1. Olá, sou a protagonista dessa história e espero ter podido ajudar no que diz respeito à divulgação de alguns intempéries quanto a acessibilidade para portadores de deficiência. A idéia foi essa: externar as dificuldades e contribuir para um mundo mais acessível!!
    Fico feliz pelo convite.

    Ana Cecília de Souza.

  2. Adorei a reportagem! Parabéns aos que tiveram a iniciativa dessa reportagem, precisamos nos juntar pela luta dos direitos de todos, e a faculdade deveria ser um exemplo de espaço de inclusão social e igualdade em possibilidades para todos.
    Cecília é um exemplo em força de vontade e uma pessoa maravilhosa a quem eu tenho o prazer de ter como minha amiga pessoal!
    milhões de beijos, Cecii!
    e mais uma vez, parabéns aos que fazem o site :)
    Shirleidy Freitas

  3. Li essa história e fiquei bastante emocionada por tudo que Ana Cecília vem conseguindo diante de todos os obstáculos,e fico mais feliz ainda pois estudava com ela na época e estive presente em todas as dificuldades.
    Torço muito por seu sucesso.

  4. Como Fonoaudiologa, deficiente fisica e amiga de Cecilia, fiquei muito feliz pela reportagem, podendo observar que suas buscas não são em vão, lutando pela melhoria da população que não tem forças para gritar e lutar pelos seus direitos. O governo deve ter o compromisso cada vez maior de não so propagar a inclusão do deficiente na sociedade, mas acima de tudo implantar esses projetos no dia -a -dia, para que assim possamos ter o livre arbitrio de ir e vir em qualquer lugar. Somos deficientes EFICIENTES. Fico a disposição para esta grande batalha.

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