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A crise do Movimento Estudantil

por Cecília Santana/ Luiz Felipe Campos

A geração de 1968, que completa seus 40 anos, deixou um fantasma na atuação política dos movimentos estudantis no Brasil. Incendiária e militante, exibiu o vigor com que, a partir de então, os estudantes passariam a tratar das questões políticas. Transcendendo o espaço da sala de aula, foi às ruas contestar o regime vigente e reivindicar por aquilo que acreditavam ser uma sociedade mais justa. Quatro décadas depois, o movimento estudantil atravessa uma crise nítida – ainda mais evidente quando a sombra de 68 paira sobre nossos dias. Muito se pode apreender desse referencial histórico. Porém, seria equivocado comparar circunstâncias completamente diferentes com os mesmos critérios, assim como querer que as pessoas se movam pelos mesmos ideais.

Os sinais desta tensão dizem respeito principalmente à maneira de se lutar pela causa. A sociedade mudou, e aquela lógica de 40 anos atrás obviamente não se ajusta mais às necessidades do tempo atual. “Perdemos muita força. A esquerda como um todo entrou em crise, e o movimento estudantil reivindicatório entrou por tabela. Depois do fim da URSS, da desilusão com o governo Lula, da onda de neoliberalismo que a gente vive, tudo isso influencia também”, afirma Victor Rodrigues, membro do DA de Ciências Sociais, que já militou pelo PSTU e qualifica o diretório do qual faz parte como esquerdista. Essa mudança de comportamento afeta todas as esferas da militância. É necessário que se estabeleçam outros meios de se fazer ouvir. Os estudantes saem pouco às ruas e já não se colam cartazes nos muros para criar uma mobilização. Tentando se moldar às tendências, segundo Rafael Bezerra, do DA de Direito, muitas entidades têm procurado criar articulações via Internet.

Rafael (dir.), presidente do DA de Direito, não deixa de acreditar na força estudantil/Foto: Rafael Sotero

Uma redefinição de valores e objetivos é o que parece estar ocorrendo com as agremiações estudantis. A inexistência de um inimigo político nítido, como já houve durante a Ditadura Militar ou no impeachment de Fernando Collor, aponta para um redirecionamento das ações. É o que acredita o estudante de Direito, Rafael Costa. “Por uma questão cultural o brasileiro sempre procura vilões para emblematizar sua luta. Devido à ausência desses vultos, falam que o movimento estudantil está fraco. Pelo contrário, agora é que a luta deve ser mais forte ainda, porque as pautas são mais específicas, como a reforma universitária e política. São pautas mais próximas da nossa vida, mas as pessoas não tomam essas coisas como um vilão a ser combatido”. Virgínia Barros, também do curso de Direito, não acredita que a apatia com que alguns caracterizam o movimento seja efeito de um momento político menos turbulento. Na visão dela, o momento é oportuno para que a militância se unifique na luta por uma reviravolta educacional. “A educação brasileira não é perfeita, ao contrário, sobretudo a pública enfrenta sérios problemas. Enquanto eles existirem, cabe aos estudantes se mobilizarem para solucioná-los”.

Além das inquietações de ordem ideológica, o panorama é ainda mais desanimador do ponto de vista estrutural. Dos mais de 80 cursos de graduação da UFPE, apenas 30 possuem diretórios acadêmicos. O papel deles, na teoria, é majoritariamente acadêmico; voltar-se para os problemas observados no cotidiano do curso. Muitos entram na universidade até com vontade de se ligar aos DAs, mas quando vêem que o órgão sequer existe, desanimam-se. Nessas circunstâncias, o estudante poderia recorrer ao DCE (Diretório Central dos Estudantes), que o ajudaria a montar um diretório. Porém, esbarraria num problema muito maior: não dispomos de um DCE, entidade geral de representação dos alunos, há um ano.

Essa é uma grande amostra do enfraquecimento da militância estudantil dentro da universidade. Cabe ao DCE, se necessário, erguer as bandeiras políticas, seja perante a reitoria, a instituições públicas ou em outros tipos de manifestação. Sem uma liderança organizada, o movimento tende a se fragmentar em interesses dissonantes, às vezes até opostos. A causa estudantil já divide espaço e atenção da sociedade com lutas de outras frentes, a exemplo dos negros, dos homossexuais, dos sem-terra. Agir unilateralmente não otimiza resultados. Parece se distanciar cada vez mais a perspectiva de unificação, e, aqui na UFPE, isso se evidencia através da dificuldade de estabelecer um calendário de votação para que um novo DCE seja eleito.

Segundo Leilane Cruz, estudante do Jornalismo, a militância é caduca em muitas ocasiões. Para ela, o movimento deixa em segundo plano as principais preocupações do estudante, como uma boa estrutura onde possam ser desempenhadas as atividades do curso, um currículo valorizado pelo mercado ou um livro na biblioteca para que pesquisas possam ser feitas. “Tomar o tempo das pessoas, tempo esse muito mais valioso do que dinheiro, para discutir temas abstratos, ou que posicionamento tomar diante da situação da América Latina, ou o inciso tal do artigo tal do estatuto do DCE… É inútil para a vida do estudante uma discussão excessivamente macro e/ou micro”. Na opinião dela, são “besteiras” não mais concernentes à vida dos alunos, que não mais ecoam “A gente tem que se organizar de outra forma, não ficar em congressinho de estudante que não dá prioridade à discussão das coisas que realmente importam. Está difícil, para quem não quer se adequar à luta dos anos 70, mudar alguma coisa no movimento estudantil”.

Essa redefinição de pautas parece ser a tônica do novo movimento estudantil que agora marcha não contra inimigos materiais – como uma frente de policiais – mas contra um sistema público de ensino frágil e precário. Marcham por reformas que, antes de redefinir a sociedade, visam sanar as deficiências internas à própria Universidade.

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Uma resposta

  1. menineee.
    eu quase disse que formação política não era importante? meodeos.
    morri agora.

    =*****

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