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DAs de Exatas

por Cecília Santana

Tempo e interesse parecem ser as palavras-chave para compreender as dificuldades que a maioria das organizações estudantis atravessam. Peculiarmente, nos cursos das Ciências Exatas da UFPE, isto se alia a crescente falta de interesse dos estudantes na integração desses movimentos. O baixo nível de politização afeta tanto os alunos dessas graduações quanto alguns integrantes dos próprios DAs, que se resignaram diante da situação.

O primeiro obstáculo aparece já no período de eleição. Os estudantes relataram que existe somente uma chapa para a “disputa” do pleito. Esses grupos são eleitos com uma margem de votação próxima ao do quorum (marca corresponde a 20% dos alunos regularmente matriculados). Pedro Lins, de Engenharia de Produção, conta que geralmente tem de lembrar as pessoas da ocasião. Caso contrário, corre o risco de perder a “disputa” por não atingir a quantidade mínima de votos. “Para se fazer eleição, não é tanto uma coisa política, o apoio é mais na base da amizade”, segundo Roberto Araújo, de Engenharia de Minas. Um outro problema comum é a falta de candidatos para compor uma chapa. Esta questão tem provocado receio em Rubens Florêncio, de Engenharia Civil. Mas ele acredita que, trabalhando pelo curso, atraia a atenção dos estudantes para a importância do DA, renovando o quadro de membros e assim revertendo a situação.

Dinheiro na mão é vendaval

“A maioria das pessoas do CIn [Centro de Informática] não estão nem aí para o DA, pensam mais no mercado de trabalho”, constata André Diniz, de Engenharia da Computação. Algo trivial, de promoção praticamente obrigatória por outros diretórios, nunca aconteceu com o CIn: uma calourada. A gestão atual está tentando fazer com que os estudantes fiquem mais atentos ao que acontece na sociedade e na UFPE, mas o interesse é parco. Ele lamenta a fraca atuação do diretório no curso: “não sei nem se a gente tem poder o suficiente para mudar alguma coisa na grade curricular”.

André acredita que um dos motivos do pouco atrativo pelo DA se deve a boa estrutura e aos grandes investimentos feitos no CIn: “as pessoas dispõem de recursos, ficam confortáveis e acham que está tudo bem, a ponto de não querer se mover”. Afirma ainda que pessoas acomodadas a esse ponto, focadas somente em objetivos próprios e no seu bem-estar pessoal – o caso dos alunos do centro – correm o risco de não se preocupar com a sociedade no futuro. Roberto Araújo compartilha essa visão e constata que quem não depende de auxílio governamental tende a não se importar: “normalmente só vai atrás do DA quem tem uma veia política ou quem está precisando daquilo”.

A mão invisível do mercado

Exigências mercadológicas e acadêmicas são os causadores, para Pedro Lins e Luiz Wolmer, de Engenharia de Produção, da atuação um tanto quanto sufocada do DA do curso. Pedro diz que quando tenta expandir a ação do diretório, “tropeça nas exigências pesadas do curso”. Eles afirmam que não vale muito a pena perder aulas ou provas por causa do DA, pois “o ganho é muito baixo”. Constatam que ter vida política ativa dentro da universidade prejudica tanto o crescimento acadêmico quanto o profissional: “numa empresa, quando analisam seu histórico, vêem que você tem várias reprovações… ‘Ah, mas eu participei do movimento estudantil!’ Isso não é interessante pelo lado mercadológico. Eu acho que isso engrandece culturalmente, mas, pensando em questões do mercado…”.

Pedro (dir.): dificuldade em conciliar curso e DA/Foto: Rafael Sotero

Mudança de hábito

No ano passado, contrastando um pouco com o calmo cenário do CTG (Centro de Tecnologia e Geociências), aconteceu uma mobilização política. Na madrugada do dia 27 de setembro, integrantes do DA de Engenharia Civil organizaram uma ocupação no Memorial de Engenharia do centro. Eles reivindicavam um espaço físico maior para o diretório do curso.
Segundo Rubens Florêncio, antes de tomar essa atitude radical, os estudantes tentaram negociar com o diretor do centro, Edmilson Santos, mas não tiveram sucesso. Dez engenheiros em formação fizeram do local invadido a nova sede do DA. A direção, obviamente, ficou enfurecida, mandou cortar a luz do lugar, e até policiais estiveram presentes. Sem nenhum acordo durante três meses, quase um processo de sindicância foi aberto contra os ocupantes, que poderia inclusive expulsá-los da universidade. Em dezembro, num descuido no horário do almoço, os estudantes deixaram de vigiar o Memorial. Quando voltaram, havia tapumes bloqueando o local. Fim de ocupação.
E este não é o único caso de estudante de Engenharia que contraria as regras. Marco Bahé, um dos editores do site Acerto de Contas, antes de ser jornalista, já mexeu com as Ciências Exatas. Ainda como aluno de Engenharia Elétrica na UFPE, integrou o movimento estudantil ativamente. Ele relata que, ao contrário do que acontece hoje, em meados da década de 90, período no qual militou, os cursos do CTG possuíam os DAs mais combativos da universidade. Desse mesmo centro saíram muitos presidentes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), e ele próprio fez parte da coordenação geral do órgão. Durante o movimento do Fora Collor, as diversas especializações de Engenharia arregimentaram um grande número de pessoas para os protestos.

Marco alega que fazer Engenharia não é motivo para deixar de participar da causa estudantil. Ele é prova viva disso: não era o melhor dos alunos, mas também não se prejudicou academicamente por causa de sua atuação política. Reprovar cadeiras, algo comum no CTG, ocorreu somente duas vezes com ele – muito abaixo da média. Alguns universitários são atletas, outros trabalham, outros são músicos no fim de semana. Marco fazia parte do movimento estudantil, e afirma que uma coisa não impede a outra. Ser engenheiro não anula seu papel de cidadão.

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