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Perfil de um integrante do DA

por Cecília Santana

Na maioria dos militantes, dois traços podem ser vistos claramente. Eles são categóricos na reflexão: estudar em universidade pública implica uma responsabilidade social, responder àqueles que investiram em sua formação acadêmica. Participar do movimento estudantil é possibilidade de desenvolver habilidades políticas, e isso permanece para a vida de quem o integra.

“Todo mundo, do faxineiro à pessoa mais rica do Brasil, paga para estarmos aqui. A gente custa, e custa caro. Participar do DA é uma forma de dar um retorno à sociedade. Eu estou acabando o curso neste ano. Ainda não sei como vou dar esse retorno, mas tenho de fazer de alguma forma”, pondera Roberto Araújo, de Engenharia de Minas. O estudante relata sua admiração por um profissional brasileiro que, após ter enriquecido nos Estados Unidos, fez uma doação à instituição onde estudou. No Brasil, ao contrário do que acontece com os americanos, é raro esse tipo de vínculo, e tampouco estimulado. As pessoas não encaram tal atitude como uma forma de exercer a cidadania, como se a resolução de problemas públicos se restringisse somente ao Estado.

Alguns dos ex-integrantes do movimento estudantil contrariaram essa regra e contribuem sempre que podem para a universidade. Um ex-presidente do DA de Direito foi advogado de uma ação popular encabeçada pelo Grupo Contestação – uma das agremiações da faculdade -, movida em 2004 contra o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a UFPE e a União, que brigava pela reforma do palácio do curso. Ainda nessa busca desse financiamento, no ano passado, a direção conseguiu mais de 1 milhão de reais através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Virgínia Barros, aluna do curso, descobriu que a funcionária do órgão que estava participando das negociações para obtenção da verba fez parte do Contestação. Ela mora no Rio de Janeiro, e, quando viu que havia um projeto para o local onde estudou, voltou a militar pela causa, mesmo depois de formada.

É praticamente impossível não desenvolver um perfil profissional diferenciado, uma vez que se participou da militância. Victor Rodrigues, de Ciências Sociais, afirma que “independentemente do caminho profissional que tomar, vou me envolver sempre de alguma forma com política. Não mais a partidária [Victor foi filiado ao PSTU] nem vivendo financeiramente disso, mas nem que seja num jornalzinho, escrevendo coisas de esquerda, estudando, ou colaborando através da Sociologia do Trabalho”.

Enquanto aluno, é importante detectar problemas do seu ambiente de estudo e tentar solucioná-los. Rafael Costa, integrante do Contestação, viu seu conceito sobre o movimento estudantil se transformar radicalmente. Influenciado pelo pai, não gostava muito da idéia e fazia cara de deboche quando participantes do DA passavam em sua sala. Posteriormente, desmistificando o preconceito, começou a perceber os problemas da faculdade, assim como as pessoas que se movimentavam para modificar a situação. Sua vontade de militar aflorou. Já Virgínia não detestava a causa, mas se sentia tão movida quanto. “Eu entrei no curso em 2004. O palácio da Faculdade de Direito estava interditado porque tinha caído um pedaço do teto, os alunos foram jogados para um prédio anexo, existia um excesso de professores substitutos, não havia diretor… Estava um caos! Olhei aquela situação e percebi que alguém tinha de fazer alguma coisa. Quando encontrei estudantes cuja intenção era de agir, que tinham o mesmo projeto de educação que eu, minha reação natural foi me entrosar com esse grupo”.

Manifesto do Contestação na FDR/Foto cedida por Virgínia Barros

Às vezes, nem todas as empreitadas têm sucesso, pois não basta apenas o desejo de mudar. É necessário um feedback mínimo por parte dos representados. Segundo Leilane Cruz, ex-integrante do DA de Comunicação Social, as pessoas do seu curso estão muito mais interessadas em conseguir um estágio, um PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica), ou em se formar do que buscar melhorias para o ambiente de estudo. Como prova disso, ela alega que, durante anos, ninguém acompanhou o processo de reabertura do laboratório audiovisual. “As pessoas nunca apoiavam nada feito por mais legítimo que fosse. Sempre desencorajavam e denegriam os feitos. Antes a gente tinha a crença de que alguém se importava com nossas atitudes e de que o que estava sendo feito era importante para o curso. Quando vimos o que realmente acontecia, o DA se desestimulou”. O curso continua sem representação acadêmica desde o ano passado. Após o término da gestão da qual Leilane fez parte, nenhuma chapa se candidatou.

Pior do que ter de superar grandes obstáculos, inclusive culturais, para obter algum progresso, é resignar-se. Em meio à apatia causada pela corrupção e outros problemas, a juventude está cada vez mais longe da política, achando que isso não constitui uma esfera significativa da sua realidade. Engana-se a si mesmo quem pensa em atos políticos como papel exclusivo do Estado, longe do cotidiano. E isso não seria diferente na universidade. Nas palavras de Rafael Bezerra, do DA de Direito, “O movimento estudantil é uma forma de se fazer ouvir, e traz uma perspectiva espontânea de repasses à sociedade. Conquistar avanços é só por meio de organização, e isso hoje em dia, para mim, resume-se ao movimento estudantil”.

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Uma resposta

  1. Primeiramente, ofereço os parabéns aos que construíram este site! Enquanto membro do Grupo Contestação, da Faculdade de Direito, afirmo que ficamos bastante contentes com a iniciativa de vocês.
    Buscar conhecer o ambiente universitário é também fazer jus à idéia de universidade, o que não é tão praticado infelizmente. Reside aí, incluisve, uma das importantes funções do movimento estudantil: trazer o debate e, especialmente, a ação política para a realidade universitária e conscientizar da importância que isso tem, independentemente do perfil de cada centro, de cada curso.
    Além disso, estamos tratando de um organismo vivo que depende daqueles que a compõem, e, sem megalomanias, os estudantes constituem o órgão principal desse sistema; podemos determinar diretrizes importantíssimas para determinar o perfil de universidade que se quer ter. Para tanto, necessária é a politização. Necessária é a contestAÇÃO! =)

    Saudações àqueles que assim se identificam, saudações aos que têm coragem!

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