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Saldo pessoal

por Cecília Santana/ Luiz Felipe Campos

Fazer escolhas, assumir posicionamentos: participar do movimento estudantil é relacionar-se durante todo o tempo. Nessa luta política do cotidiano, os integrantes dos DAs fizeram um balanço de suas experiências na área, e as respostas eram semelhantes. Apesar das aulas perdidas, das reprovações, das renúncias necessárias para exercer a atividade da militância, vigora a opinião de que o saldo pessoal de quem a exerce é positivo e engrandecedor.

Obviamente essa experiência só é obtida através das lutas no dia-a-dia. Militar no movimento estudantil é sacrificar a vida pessoal e acadêmica. Despende-se tempo, muito tempo, com afazeres cuja responsabilidade os estudantes assumiram voluntariamente. Busca-se força de vontade para lidar com o ônus que é doar essas horas de trabalho para a causa. Virgínia Barros, estudante de Direito e participante do Grupo Contestação (chapa opositora na Faculdade de Direito do Recife), deu um exemplo. “Quando assumi a vice-presidência do DA, tive que me desligar do estágio, voltei a depender financeiramente de pai e de mãe e permanecia na faculdade o dia inteiro. É o tempo longe da família, fora do estágio, fora de sala de aula para resolver isso, pleitear aquilo; renunciei ao lazer… Minhas tardes de sábado, nos últimos três anos e meio, deixaram de ser cerveja na praia para se tornar discussão da faculdade e do país”.

Mesmo diante de todo esse esforço, Pedro Lins e Rubens Florêncio – dos DAs de Engenharia de Produção e Engenharia Civil, respectivamente – afirmam que em muitas ocasiões seus feitos não são reconhecidos pelos demais alunos dos próprios cursos. Rubens relata que é taxado de vagabundo, que virou alvo de chacota por participar do DA. “Costumo dizer que sou um pouco besta. Tento fazer alguma coisa pelos outros e metem o pau em mim. Falam que quem faz parte do DA tem tempo sobrando e não está muito a fim do curso, quer só fazer carreira política dentro da universidade. Claro que existem aqueles que querem ser políticos, mas a nossa intenção é de trabalhar pelo curso”.

No que diz respeito à exposição da figura pessoal, em momentos de reivindicação e negociação com coordenadores e professores, os integrantes dos DAs não podem se esquecer da sua condição permanente de aluno. A crítica em uma disputa com autoridades do seu curso, segundo Pedro Lins, deve ser feita com cautela e não pode ser de cunho pessoal. “Eu não posso chutar o pau da barraca se aquele cara vai me dar aula daqui a pouco, se ele vai corrigir minha prova”. A exposição pode ser muito boa quando se quer ter apelo para conseguir avanços, mas pode trazer muitos reveses, sendo um dos piores as represálias por parte dos professores.

Porém, nem de longe tais obstáculos aplacam a vontade dos estudantes de continuar lutando pela causa. Eles poderiam até não saber, mas, quando entraram para o movimento estudantil, ganhariam um know-how que fica para o resto da vida. Aquela visão idealista e romântica, tanto da sociedade quanto do próprio movimento estudantil, amplia-se, tornando-se mais crítica e mais fiel à realidade do mundo. “Você se aproxima mais dos problemas enfrentados pelo ensino e pela administração pública. Isso, para quem faz Direito, é uma coisa fundamental na profissão, porque vai trabalhar com o Estado”, pondera Virgínia Barros. É uma forma significativa de exercer diariamente a cidadania.

Não só a experiência em si já é algo memorável, como também se desenvolvem habilidades pessoais. Aprende-se a lidar com o ser humano, desmistificar preconceitos e ser mais tolerante às diferenças. Victor Rodrigues, do DA de Ciências Sociais, fala dos ganhos da convivência em grupo nesse tipo de ambiente: “trabalha-se bastante em grupo, em reuniões infindáveis, de discussões chatas, mas você tem que escutar porque a outra pessoa também é importante naquele espaço. É rapidez de pensamento e de tomada de decisões. O poder de argumentação se desenvolve”. Leilane Cruz, que já foi integrante do DA de Comunicação Social, afirma que quem participa dessas representações entende com que instância elas podem se relacionar, e isso é crucial em uma universidade, pois se trata de uma instituição essencialmente burocrática. Não se pode brigar com o reitor porque a sua cadeira está quebrada, e sim com o órgão competente do seu centro. “Aprendi a lidar politicamente com pessoas que hierarquicamente são superiores. Foi muito útil para mim quando comecei a trabalhar: aprende-se a se expressar com cuidado pra ser bem entendido pelas pessoas, saber que termos podem ser utilizados”.

No tratamento das relações humanas, no empenho para a concretização dos objetivos, no desenvolvimento do espírito de liderança e até para superar obstáculos de personalidade como a timidez, integrar a militância ainda é, do ponto de vista pessoal, moral, intelectual e acadêmico, uma atividade lucrativa. Esses estudantes têm noção de que sequer poderão usufruir de muitas conquistas obtidas à base de seus sacrifícios, mas isto não é fator determinante para a desistência. É justamente o cultivo dessa visão altruísta que aparece como saldo positivo em suas vidas.

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