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Sem DCE: sem lenço, sem documento

por Cecília Santana

Sem DCE há mais de um ano, os estudantes carecem de uma liderança organizada. O Diretório Central dos Estudantes é essencial para que se possa negociar com a reitoria ou com outros órgãos: instituição só se relaciona com instituição. O tempo passa e acumulam-se perdas.

Este órgão é constituído através do voto dos estudantes, e o mandato tem duração de um ano. As forças, espécie de partidos políticos, são compostas por alunos que se unem para agir nas instâncias representativas da universidade através do pleito. Não é preciso aderir a um desses grupos já existentes – os estudantes podem formar chapas com quem desejarem. O diferencial das forças reside no fato de, por possuírem mais membros, possivelmente terão mais peso na hora de tomar decisões. UJS (União da Juventude Socialista), Ciranda e Correnteza são as facções mais expressivas da UFPE.

À época do fim do seu mandato, a Ciranda, última gestora do DCE, determinou um calendário de votação que não foi cumprido. Muitos membros de DA apontam que a falta de vontade política, por parte de todas as forças, foi determinante para que a situação chegasse ao ponto atual. Desde então, uma comissão gestora vem tentando instalar um novo processo eleitoral.

A comissão gestora convoca CEBs (Conselho dos Entidades de Base): reuniões de caráter burocrático, feitas com a presença de integrantes dos DAs e das forças, para tentar estabelecer um calendário de votação. Mas as tentativas têm fracassado. A primeira barreira a ser ultrapassada é o quorum: quaisquer deliberações serão feitas apenas com a presença de um terço dos diretórios acadêmicos da universidade. A comissão não distribui convocatórias para todos os diretórios acadêmicos e, nos últimos seis meses, apenas um CEB apresentou quorum.

Aqueles que vão para as reuniões relatam que uma experiência aborrecedora: pura burocracia. Poucos avanços foram conquistados. “São discussões extremamente enfadonhas e muitas vezes inúteis. Você sai de lá com a sensação de que passou duas horas discutindo o sexo dos anjos. Na última reunião, cheguei dizendo para a galera que parecia um grupo de auto-ajuda. As pessoas chegam e se reúnem, dizem que têm um monte de problemas, se comprometem a melhorar, e no CEB seguinte acontecem as mesmas coisas. No fim, fica um ciclo vicioso e não muda nada”, constata Virgínia Barros, estudante de Direito. Roberto Araújo, do DA de Engenharia de Minas, “encheu o saco” de chegar nas reuniões às 18 horas, sair às 23 horas e não ver nada feito. A eleição do DCE foi adiada para o próximo semestre.

Nesses CEBs afloram muitas divergências, tanto de cunho pessoal e partidário. Quase unanimidade entre os estudantes, a ingerência partidária dentro do movimento estudantil é vista como um vício que atrapalha a luta. Roberto Araújo não acredita que o DCE seja formado neste ano, pois acontecerão também as eleições municipais – a preocupação maior será com a base dos partidos. Ele afirma que os membros das forças recebem orientação de fora até para fazer o calendário de votação do DCE e que seguem de maneira irracional as diretrizes partidárias.

“Se a gente quiser um movimento estudantil sério, temos que desvinculá-lo de partidos políticos. Eles estão preocupados com algo muito maior; a gente quer a melhoria da universidade. Eu posso ter a minha ideologia, mas nem todos os outros alunos são obrigados a agir conforme isso. Pode ser que o meu pensamento seja o mesmo do partido político ligado ao movimento estudantil, mas e as outras pessoas?”, pondera Elvis Pinheiro, aluno do curso de História, que se diz desencorajado a integrar diretório acadêmico ou outras agremiações por causa desta ingerência. Roberto Araújo constata que a briga na UFPE é tão grande que membros do PT sequer se falam apenas por serem de correntes diferentes. Não existe consenso nem diálogo.

Elvis Pinheiro: “se a gente quiser um movimento estudantil sério, temos que desvinculá-lo de partidos políticos”/Foto: Rafael Sotero

Leilane Cruz, ex-integrante do DA de Comunicação Social, nota que os interesses do partido sobressaem em relação à causa estudantil. Os militantes lutam dentro da universidade pelo partido, e tentam cooptar pessoas e conseguir novas adesões. Quando uma força vinculada a agremiações políticas controla o DCE, está mais preocupada com que as ações sejam desempenhadas a partir da sua ideologia do que com as reais necessidades estudantis. O que o partido deseja nem sempre coincide com o que deveria ser feito, e assim o movimento estudantil vai perdendo o foco. “O assunto principal sempre é desvirtuado, e com o passar dos anos, a luta toda vai sendo desvirtuada. Quem quer fazer alguma coisa se desgasta e acaba saindo, quem quer fazer pelo seu próprio curso acaba sendo ridicularizado pelos outros que querem fazer pelo geral, e quem quer fazer pelo geral de uma forma séria não consegue porque toda a estrutura impossibilita”.

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