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Tão longe, tão perto

Mas nem tudo são diferenças; alguns dos intercambistas percebem também, aqui, muitas semelhanças com o seu país de origem. Sheila Tavares e Lísia Ramos, ambas com 18 anos, e Idalina da Silva, 21, são algumas dessas alunas. As três são de Cabo Verde, chegaram aqui no início desse ano e cursam o primeiro período de Jornalismo na UFPE. Assim como muitos dos estrangeiros vistos circulando pelo campus, elas vieram para o Brasil através do Programa de Estudante-Convênio de Graduação (PEC-G). Esse programa traz alunos da América Latina, Caribe e África, para realizar seus estudos de graduação em instituições de ensino superior brasileiras.

As garotas afirmam que não encontraram tantas diferenças na nova vida em outro país. Apontam grandes semelhanças na forma de vestir, alimentação e música dos dois países. Além disso, acreditam que ambos os povos são muito simpáticos. “Fomos bem acolhidas, com simpatia e carinho”, diz uma das estudantes. No entanto, dificuldades são inevitáveis. Além da saudade e do clima, que dizem ser ainda mais quente do que o de seu país, ao chegar aqui sofreram também com a língua. Apesar de português ser o idioma oficial de Cabo Verde, as jovens contam que lá só o utilizam em situações formais, enquanto no dia-a-dia usam seu próprio dialeto, o crioulo. Por isso, ficam muito nervosas ao ter de apresentar trabalhos acadêmicos, mas acreditam que a maior parte das diferenças se deve ao fato de estarem em uma universidade do que em outro país.

Cabo-verdenses aprovam experiência no campus/Foto: André Simões

No caso de Sheila, um dos atrativos do Brasil foi seu interesse pelo jornalismo que é feito aqui. “O jornalismo de vocês não esconde os fatos, mostra o que realmente acontece”, diz. Para ela, somos mais realistas, enquanto considera mais leve o jornalismo cabo-verdense. Quer, assim, aprender aqui sobre nossa forma de praticar a profissão, para exercê-la em sua terra natal. Não pensam em trabalhar aqui, já que não é permitido e explicam: alunos estrangeiros têm que renovar o visto todos os anos e só podem permanecer no país para estudar, não sendo permitido que adquiram vínculo empregatício.
“Me sinto satisfeita”, afirma Sheila, ressaltando que “quem estuda fora tem mais prestígio em Cabo Verde do que aqueles que estudam nas universidades locais”. É o que também diz Ivanilda Rodrigues, 21, que também veio de Cabo Verde e está no quinto período de Design. “Quando termina o colégio todo mundo tem a mentalidade de sair do país, seja através de bolsa ou por conta própria”, conta. “Muitos cursos não existem lá, como medicina, farmácia e design. Além disso, muitos cursos estão começando lá agora e as pessoas não querem testar”, explica.

Ao participar do projeto de intercâmbio, os candidatos escolhem uma primeira e uma segunda opção de curso e localidade, mas Ivanilda afirma que “50% ou 60% são mandados pra um lugar diferente do que preferiram”. Esse foi o seu caso: sua primeira opção era Florianópolis, mas teve que vir para o Recife. Confessa que no começo não gostou muito da cidade, mas se adaptou, pois dá mais importância ao curso e aos amigos que fez. Sua irmã estudou no Rio de Janeiro e a idéia que ela tinha do Brasil era diferente do que encontrou aqui. “Cheguei aqui com muitas expectativas, que só foram correspondidas em uns 30%”, diz.

Uma das coisas que a incomoda é a pobreza muito explícita. “Lá não tem gente que sobrevive de vender pipoca no ônibus, como aqui”, comenta. Acredita que a vida aqui é muito estressante e a violência também incomoda muito. Tendo sido assaltada já mais de uma vez, diz ter medo de sair a pé ou de ônibus e até de andar pelo campus sozinha.

A jovem também avalia como positiva a recepção pelos brasileiros, mas acredita que no Brasil existe muita ignorância. “Tem informação demais aqui, então vocês não sabem tanto do que existe lá fora. A gente de Cabo Verde tem uma conexão maior com o mundo, até por ter sempre essa idéia de sair de lá”, diz. Por isso, sofreu certo preconceito, segundo ela mais fruto de ignorância do que de hostilidade.
Ivanilda diz que, apesar da burocracia, não é tão difícil vir para o Brasil porque “todos sabem que para onde forem vão ter contatos lá de Cabo Verde, que não só vão buscar no aeroporto, mas também ajudam durante o processo de adaptação e instalação, até acolhendo o estudante enquanto ele não encontra um apartamento”, conta. No entanto, o grande desafio é aprender a organizar a própria vida, morando longe dos pais. “Você depende de você mesmo. Aqui você corre atrás do que quer, quer ter um objetivo, por isso tem que levar os estudos a sério”, diz.

Ben Cunha, de 20 anos, também não escolheu vir para Recife; queria ir para Belo Horizonte ou Fortaleza, onde mora seu irmão. Ainda assim, diz gostar da cidade e não ter se arrependido. Ben morava na Guiné Bissau e veio para o Brasil em abril de 2007, junto com mais 16 pessoas do seu país, também pelo PEC-G. Assim como as garotas, achou fácil a adaptação: “as pessoas aqui são muito abertas”, diz. Quanto à violência, fala que “já tinha idéia, as pessoas já tinham me falado, então não me surpreendi. Nunca fui assaltado, mas meus amigos da Guiné e de outros países já”.

O aluno do terceiro período de Turismo diz que o maior problema quando chegou era o sotaque. “No começo era difícil de entender o que os professores falavam, mas depois me acostumei”, diz. Na Guiné Bissau, Ben estava na universidade, cursando Literatura Portuguesa (o equivalente ao nosso curso de Letras), e por isso pode comparar as realidades da vida universitária nos dois países. Além de estranhar costumes como o de usar sandálias havaianas para a universidade, enquanto no seu país usa-se terno, o que mais o impactou foi o ritmo do ensino. “O ensino daqui é mais acelerado em relação às universidades de lá, temos muita coisa para estudar. As universidades da Guiné não são boas, em relação à UFPE. Já aprendi muito aqui e espero aprender ainda mais”, diz ele, que pretende trabalhar em uma agência de viagens na Guiné, onde, conta, o turismo é um setor pouco explorado.

No entanto, nem tudo são elogios. As expectativas que tinha do Brasil eram bem diferentes do que encontrou. “Esperava mais daqui, achava que ia ser algo como a Europa”, confessa. Acrescenta ainda que “não imaginava encontrar tanta periferia”. Quanto ao campus, apesar de avaliar o ensino como de qualidade, reclama de problemas estruturais como a falta de um restaurante universitário. (L.F.)

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