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Cineclubes resistem à baixa freqüência

por Luísa Ferreira
luisafsantos@hotmail.com

O Campus é palco de diversas manifestações culturais e projetos que congregam reflexão e lazer, entretenimento e discussão. No entanto, grande parte da comunidade acadêmica desconhece a existência desses eventos. É o caso dos cineclubes, que existem em diversos centros da universidade, mas infelizmente, raramente contam com uma quantidade considerável de espectadores assíduos.

Qual a razão para isso? Alguns, como Rejane Ferreira, coordenadora da biblioteca do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) e idealizadora de um cineclube no local, acreditam que a questão é mesmo a falta de tempo que parece acometer a todos. Rejane conta que no início ocorriam exibições quase todos os dias, mas hoje só são realizadas às quartas-feiras, por falta de público. “A biblioteca não é só um espaço para leitura e estudo, tem também um lado de lazer para o usuário”, afirma. Ainda assim, conta que já pensou em parar as exibições, mas sempre que ocorre um intervalo recebe reclamações, apesar de algumas vezes ninguém comparecer. Mesmo assim, ela acredita que não deve desanimar: “o importante não é a quantidade de gente, e sim ter um público realmente interessado, mesmo que seja só uma pessoa.”

Aroma Bandeira, 22, uma das responsáveis pela organização do Cineclube Cabidela, no Centro de Artes e Comunicação (CAC), diz que não quer um público fixo, mas pessoas interessadas em ver e pensar sobre filmes. “Queremos incentivar para que isso vire um costume. Um amigo deu uma alegoria ótima: como quem assiste futebol. Isso porque quem é aficionado por futebol vai ao estádio regularmente e não assiste aos jogos passivamente. É quase um crítico, e entende desde as regras gerais até o que seria preciso para melhorar o time. Imagina se quem vai ver filme se empolgasse tanto?”, diz.

As exibições do cineclube estavam, no dia dessa reportagem, temporariamente interrompidas. As organizadoras atribuem isso a sua própria falta de tempo, acreditando que a solução seria o ingresso de mais pessoas no projeto. “Cineclube é coisa coletiva. Não temos previsão para volta porque preferíamos que chegassem mais pessoas interessadas, o que seria bom também para arejar as idéias”, diz Aroma. Ela comenta também que deveriam ocorrer discussões depois dos filmes, mas as pessoas ficam intimidadas e muitas vezes não falam nada, ou saem da sala logo após a exibição. Aroma conta que, apesar de tentarem fomentar a discussão, “nunca aconteceu um debate de verdade”, e acrescenta que os filmes exibidos no Cabidela não têm temática definida. O que pretendem, afirma, é gerar um novo posicionamento diante do filme, artisticamente.

Um pouco diferente é o caso do Cine Qua Non, cineclube criado em 2007, idealizado em conjunto com o Diretório Acadêmico de Medicina Umberto Câmara Neto (DAMUC). Lá, as exibições não têm só o intuito de formar uma cultura cinematográfica no meio acadêmico, mas também de construir conhecimentos sobre a sociedade. “A discussão deve ser premissa ideal de qualquer cineclube”, afirma Rui Dornelas, 21, um dos organizadores. De acordo com essa linha de pensamento, o Cine Qua Non exibe filmes que tratem de temáticas sócio-culturais que possam provocar reflexão e traz sempre algum debatedor: críticos de cinema, estudantes ou profissionais que trabalhem com a problemática do filme.

Exibição no Cine Qua Non/Foto: Guilherme Carréra

“Avaliamos o projeto como uma alternativa de construção de conhecimento e cultura dentro de uma área tão pobre em tais recursos como a área de saúde”, afirma Rui, aluno do sexto período de medicina. O projeto tem sucesso, mas em um auditório com capacidade para mais de 100 pessoas, a média de espectadores é apenas de 10 a 30. O estudante acredita que os principais obstáculos para o bom funcionamento do cineclube são a pouca divulgação e participação, além de problemas comuns de logística e da necessidade de adequar os horários de exibição ao calendário escolar do curso de medicina.

A divulgação, que em quase todos os casos se limita ao uso de cartazes nos próprios centros e à internet, parece ser um dos maiores problemas para todos os cineclubes, junto à aparente falta de interesse da comunidade acadêmica. É o que pensam também as organizadoras do cineclube da Biblioteca Central, a coordenadora administrativa da biblioteca Maria Inês Vidal e a bolsista Rosali Gouveia, 24, que a auxilia. A exibição de filmes na biblioteca foi iniciada há mais de oito anos no extinto “Espaço Cultural” que existia em uma de suas salas, mas foi interrompida em 2001 devido a mudanças na biblioteca e só foi retomada em outubro de 2007.

Cartaz divulga cineclubes/Foto: Guilherme Carréra

Maria Inês afirma que, para um projeto como esse funcionar, depende primordialmente da boa vontade dos organizadores. Ainda assim, seu público também está aquém do desejado. “As pessoas estão muito presas aos seus centros”, afirma Rosali. “Acho que talvez se a biblioteca central voltasse a ser um ponto de circulação maior de pessoas, a freqüência no cineclube também aumentaria”, pondera.

A bolsista acrescenta ainda que “seria muito interessante se houvesse uma interação maior entre os cineclubes da universidade e um ajudasse o outro”. O único cineclube com o qual a organização do Cine BC tem algum contato é o Cine CCSA, que segundo as organizadoras se diferencia da proposta deles por exibir filmes mais “comerciais”. Rejane Ferreira, do CCSA, não acha viável exibir filmes que classifica como polêmicos, além de enfrentar certa dificuldade para encontrar filmes que agradem às pessoas, que segundo ela têm interesse maior por lançamentos recentes. Rosali, por sua vez, afirma que no Cine BC procuram escolher filmes que não se limitem a puro entretenimento, seguindo de preferência uma temática pré-determinada. Diz ainda que o ideal seria que ocorressem discussões após as exibições, mas não dispõem de funcionários ou bolsistas suficientes para organizá-las.

As discussões são premissa fundamental no cineclube do Centro de Informática (CIn), ligado ao DA do Centro, onde os organizadores também costumam escolher os filmes de acordo com temas determinados, para em seguida debater sobre eles. Um dos organizadores, André Diniz, acredita que os cursos do Centro, em sua maioria, sobrecarregam os alunos e muitos não têm tempo para assistir filmes fora da Universidade. “Então a gente os traz para cá, criando mais uma oportunidade”, afirma. No entanto, a divulgação ocorre em sua maior parte apenas dentro do próprio centro. “Não vem muita gente de fora, mas seria bom se viesse, até para trazer novos pontos de vista para os debates”, diz ele.

Caroline Ferreira, 22, aluna de Biblioteconomia e freqüentadora de vários cineclubes da Universidade, credita a eles sua importância pelo papel de divulgação artística, disponibilizando filmes para pessoas que não teriam oportunidade de vê-los de outra forma. “Nem todo mundo tem DVD, e muitas vezes os cineclubes passam documentários e filmes raros”, diz. A exibição de filmes pouco acessíveis também é ressaltada por Aluísio Gomes, 26, do 5º período de História. “Prefiro quando passam filmes mais antigos ou desconhecidos e que o pessoal ache que são importantes para as pessoas conhecerem”, diz ele, afirmando ainda que “é fundamental para os alunos ter uma formação mais ampla, com uma visão mais aberta para arte e cultura”.

Quanto à exibição de filmes de difícil acesso, um grande expoente foi o Cineclube Barravento, do CAC, extinto em 2006. O cineclube surgiu, de acordo com Mateus Toledo, um de seus organizadores, por volta de 2001, por iniciativa de Júlio Cavani, hoje jornalista, e Leo Sette, cineasta. “Não importava o nome do diretor, só a raridade dos filmes. Passamos de filmes pornôs a clássicos de Sessão da Tarde, mas ainda assim, uma boa parte era na linha ‘clássicos de cineclube’ mesmo”, diz Mateus, graduado em História desde 2006. Uma das maiores marcas do Barravento, segundo ele, era a independência: “não pedimos autorização para funcionar e não queríamos, de forma alguma, ser aparelhados por algum órgão da Universidade. Não queríamos nos institucionalizar no formato hierárquico que a UFPE defendia; nossa organização era totalmente horizontal e qualquer um podia entrar.”

Em relação ao público, se encontravam mais ou menos na mesma situação dos cineclubes atuais: “O número de pessoas que comparecia era flutuante, tinha dias lotados e outros com pouca gente”, afirma. A vontade tão marcante de garantir autonomia foi, no entanto, fatal para o cineclube, junto com outros fatores. “A coisa foi se tornando cada vez mais insustentável, pois tínhamos, por exemplo, que ficar mendigando equipamento e espaço. No final, o Barravento se tornou amadorístico mesmo, já que poderíamos fazer coisa melhor e não estávamos fazendo nesse momento. A situação ficou insuportável e nós, como integrantes e não como instituição – já que nunca fomos um grupo coeso, nos uníamos apenas pelo interesse por cinema-, sentimos nossa incompetência e ‘nos suicidamos’”, conta.

Durante seus anos de existência, o Barravento teve um papel importante na Universidade e seus organizadores davam grande valor aos debates. “Se não tem discussão, a meu ver, é só sala gratuita de projeção de vídeo, e não cineclube”, diz Mateus. Ele conta que inicialmente traziam convidados para debater e se centravam na figura desse palestrante, mas acredita que as discussões só aconteceram com mais força posteriormente. “Isso devemos ao estímulo de um espectador assíduo, que nos forçava a discutir mais, mesmo que não nos considerássemos com ‘autoridade’ para isso. Foi uma fase muito interessante”, relata, acrescentando que deve ao Barravento grande parte de sua percepção do cinema.

Gustavo Carvalho, 25, aluno do último ano de Medicina e espectador de vários cineclubes da universidade, acha que alguns deles deveriam melhorar justamente quanto aos debates, aos quais credita grande importância. “Gosto muito quando existem discussões, pois nos fazem pensar sobre alguns aspectos que passaram despercebidos”, diz. Ele acha que a universidade deveria oferecer maior apoio a projetos como esses, pois acredita que enriquecem a formação pessoal dos estudantes. Caroline observa ainda a importância da integração dos alunos que organizam os projetos e assistem aos filmes, e também o exemplo que esses projetos representam para que outros alunos criem novos movimentos na universidade.

Você conhece os cineclubes do Campus? Responda aqui na nossa enquete

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