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Contra a maré

Estudantes de escola pública sonham com ensino superior
por André Simões/ Guilherme Carréra
andresimoes_azevedo@hotmail.com/ guilherme8919@hotmail.com

De Trindade a Recife. Essa foi a trajetória percorrida pela estudante do interior Ana Célia, que se viu obrigada a deixar sua cidade de origem para construir um futuro na capital. A jovem sempre estudou em escola pública e por mais que quisesse ingressar no ensino superior gratuito não encontrava um estímulo por parte de seus professores. “Existiam duas opções: ou fazíamos a escola Normal para dar aula de 1ª a 4ª série, ou tentávamos o ensino médio. Só que a maioria das pessoas diziam ‘pra que fazer ensino médio? Você vai poder pagar uma faculdade?´”, relembra a jovem de 20 anos, que optou por seguir as duas possibilidades. Ana Célia não sabe ao certo o porquê de ter escolhido prestar Vestibular para o curso de Direito, mas lembra de um comentário de uma professora quando ainda era pequena. “Eu lembro que ela disse ‘você já pensou em estudar Direito? Você devia fazer!’, acho que isso ficou na minha cabeça, porque da área de Humanas, era o curso que mais me interessava”, explica a hoje estudante de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Pernambuco.

Assim como Ana Célia, grande parte dos jovens que estudaram na rede pública de ensino sofre com a falta de auxílios efetivos do Estado, fazendo com que os mais determinados passem a estudar por conta propria.

Uma saída, no entanto, está nos cursinhos pré-vestibulares. Muitos estudantes interessados em se dedicar aos estudos que antecedem a vida universitária recorrem a mecanismos como esses para se prepararem melhor. Vinculados à Universidade Federal de Pernambuco, os projetos Vestibular Cidadão e Portal são exemplos exponenciais. O primeiro surgiu no curso de Direito; o segundo, no de Medicina. Esses, como outros tantos, servem de alicerce na árdua batalha em prol da tão desejada aprovação.

A UFPE, por sua vez, demonstra preocupação quanto ao abundante número de inscritos pregressos de colégios municipais e estaduais. Ciente da deficiência que estes alunos enfrentam ano após ano, a instituição colocou em prática o acréscimo de 10% na nota final obtida por esses alunos no concurso realizado no fim de cada ano. Esta estratégia tem como objetivo incentivar o estudante de escola pública e acelerar sua entrada na universidade. A princípio, deveria funcionar a curto prazo. As críticas temerosas são justamente voltadas para aqueles que defendem este mecanismo como condição fixa e irrevogável. Parte dos envolvidos na temática acredita que o acréscimo é válido apenas como medida paliativa, cabendo ao Estado promover melhorias na base educacional do país. Enquanto as reformas urgentes não são realizadas, os 10% parecem surtir efeito na realidade de muitos jovens, tal qual surtiu na vida da garota de Trindade.

Contrariando a estimativa de alguns de seus conterrâneos, Ana Célia resolveu arriscar. Prestou Vestibular para Administração na Universidade de Pernambuco (UPE) e Direito na UFPE no fim de 2005, mas não obteve as classificações. Por ter conseguido, ainda assim, uma boa colocação, recebeu uma bolsa para estudar Administração na Faculdade Frassinetti do Recife (FAFIRE). “Eu fiz dois semestres lá, até que resolvi estudar sozinha em casa para tentar Direito novamente”, conta Ana. Aprovada no curso “graças aos 10%”, segundo a mesma, a jovem acredita ser tão capaz quanto os alunos que vieram de escolas particulares. “Claro que existem muitas diferenças. Tive que aprender muitas coisas sozinha, enquanto eles tiveram um ambiente adequado para isso”, esclarece a estudante, que diz ter tido poucos professores no ensino médio capazes de embasar seu conhecimento para enfrentar as provas do Vestibular. Quando se mudou para Recife, Ana Célia conseguiu vaga no cursinho Rumo à Universidade, onde pôde se preparar com mais estrutura para os concursos.

Questionada se sofreu algum tipo de preconceito por ser minoria em uma sala de aula em que quase todos vieram de colégios particulares, Ana diz que nunca presenciou esse tipo de postura. “Eu prefiro nem perceber. Não esquento com isso. A socialização com as pessoas foi bem mais fácil do que eu pensava. As pessoas da minha turma são ótimas”. Sobre o mecanismo dos 10%, a jovem acha importante para que possa haver uma inclusão social. “Eu acho que teria sido difícil passar sem o acréscimo de 10% na minha nota. Meu irmão mesmo, passou em Medicina na UPE por conta das cotas, porque há uma reserva de vagas para alunos que vêm de colégios públicos. No meu caso, acho mais fácil de me adaptar e acompanhar o aprendizado, mas eu temo por ele. O ensino médio é muito defasado para alunos que desejam a área de Saúde. Mas a verdade é que as cotas também ajudam”, avalia Ana Célia.

NOTA: Procurada pela equipe de reportagem para contribuir com dados à presente matéria, a COVEST não retornou às solicitações. Apesar da insistência e do protocolo de um requerimento enviado à Presidência da instituição, a mesma criou percalços e se omitiu. A apuração, embora dificultada, foi concluída com sucesso.

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