• Campo aberto

    Cannabis no campus Nossos repórteres percorreram o campus e não tiveram dificuldade em se deparar com o consumo, a olhos vistos, de maconha nos limites da Universidade. Confira a reportagem aqui.
  • Ecos de ’68

    Mesmo com cursos há meses sem representação e com o eterno embate filiados x não-filiados, movimento estudantil (re)acende a veia política de estudantes que nunca se imaginaram em posição de liderança. Aqui.
  • Emergência

    Hospital das Cl�nicas Referência em Cirurgia da Obesidade e Cardíaca, Transplantes e Gestação de Alto Risco, o Hospital das Clínicas da UFPE é vital para os estudantes da área de saúde, mas não atua no atendimento a alunos. Saiba o porquê.
  • “Xerocando”

    Xerox ou fotocópia?Ilegal ou legítimo? Um estudante fotocopia, em média, mil páginas de livros por cada semestre. Entenda como a marca Xerox virou verbo e substantivo na gramática estudantil da UFPE
  • Multimídia

    Acesse aqui os vídeos, fotos e áudios produzidos durante as reportagens
  • 12345

    Saiba com quantas horas de gravação, solas de sapato, chás de cadeira e bloquinhos de anotação se faz uma reportagem. A gente não gosta de matemática, mas contabilizou tudo!
  • Repórteres

    • André Simões
    • Bárbara Siebra
    • camilapimentel
    • Carol Vasconcelos
    • Cecília Santana
    • clarissagomes
    • descampado
    • Glaucylayde
    • Gustavo Maia
    • Guilherme Carréra
    • ineshebrard
    • katianectorres
    • larajornal
    • lucianamartins23
    • luisafsantos
    • mariedelbes
    • Mirella Izídio
    • Mirella Pontes
    • Rafaella Correia
    • Rafael Sotero
    • sofiacostarego
  • Falem mal, mas falem de nós

  • Passaram por aqui

    • 81,902 hits

Venturas e desventuras dos estagiários

Estágio: um passo essencial na vida do estudante

por Inès Hébrard

“Você é estudante, sua única obrigação é estudar”. Será que essa afirmação, que tanto ouvi em casa, na Espanha, também é certa no Brasil? Parece que não. Concentrar-se nos estudos não é a única exigência para os jovens daqui. Paralelamente à sua formação acadêmica, eles começam desde cedo a tecer uma experiência profissional. Não existem estatísticas, mas à primeira vista se diria que quase a totalidade dos estudantes de nível superior, na área que for, realiza ou já realizou pelo menos um estágio. Entre necessidade e obrigação, o estágio constitui uma fase inelutável na vida do estudante.

“O estágio é uma atividade essencial para inclusão social. É o primeiro passo na área profissional do estudante”, explica Ivan Oliveira Araújo, responsável por Seleção e contratação no CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola). Este centro, assim como o IEL (Instituto Euvaldo Lodi) e o ABRE (Agência Brasileira de Estágio), é um agente de ligação entre estudante, empresa e instituição de ensino. Muitos estudantes recorrem a entidades como estas para conseguir estágio. Outros se informam das ofertas através dos painéis de anúncios expostos na própria universidade. Finalmente, estão aqueles que entram no estágio por indicação de outro estudante. Esse último é o caso de Fernanda, do 6° período de Serviço Social, que soube da abertura de uma vaga no Hospital Oswaldo Cruz pela indicação de sua companheira Alessandra, também no 6° período, que já estagiava lá.

Painéis informam das vagas nos muros da universidade/ Foto: Inés Hébrard

A Lei 6.494, de 7 de dezembro de 1977, regulamentada pelo Decreto 87.497, de 18 de agosto de 1982, disciplina e orienta o estágio. Estar matriculado e cursando numa instituição de ensino é o requisito básico para exercer uma atividade como estagiário. E por lei, o horário do estágio não pode coincidir com o de aula. Além disso, a Universidade Federal de Pernambuco estabeleceu alguns critérios particulares em relação aos estágios, contidos na Resolução 02/85 do CCEPE. Assim, está determinado que os estudantes da UFPE só podem estagiar a partir do 3° período letivo, e para realizar um estágio, deve primeiro existir um convênio assinado entre o Reitor da universidade e a unidade concedente do estágio. Aliás, deve existir um contrato, chamado de “termos de compromisso”, assinado pelo estudante, o coordenador do curso e a instituição que oferece o estágio. Nesse documento é garantido o seguro contra acidentes pessoais para o estagiário e definida a carga horária do estágio.

Neste ponto são necessários alguns esclarecimentos. Todo estágio é curricular, o que significa que é associado de alguma forma à área de estudos do aluno. A partir daí, existem os chamados estágios optativos, que o estudante realiza por iniciativa própria. Estes são às vezes conhecidos como “extracurriculares” e podem ser acumulados. Nestes casos, o coordenador do curso é o representante da universidade competente para assinar os chamados Termos de Compromisso.

Já os estágios “obrigatórios” correspondem a uma matéria creditada na universidade – geralmente chamada de “Estágio 1” ou “Estágio 2”. Nestes casos, a instituição de ensino define certas regras (tipo de atividade, carga horária, supervisão do estagiário, etc.) que devem ser cumpridas. Nesse caso, o contrato precisa da assinatura da Reitoria da UFPE. Mas nem todos os cursos na Universidade Federal exigem um estágio curricular obrigatório: os alunos de Comunicação Social ou de Ciências Contábeis, por exemplo, realizam numerosos estágios sem que esta seja uma obrigação acadêmica.

Outra noção importante é a de que estágio não é sinônimo de trabalho. Segundo o art. 6 do Decreto n°87.497, o estagiário não tem vínculo empregatício com a entidade na qual está, seja empresa privada ou órgão público. Portanto, ele não tem direito a férias, salário, aviso prévio em caso de rescisão contratual, e também não tem benefícios como o vale-refeição, vale-transporte, assistência médica, cesta básica, etc. A retribuição da atividade fica por conta da “boa-vontade” da entidade que o contrata. Porém, as agências de integração estágio-estudos realizam sempre nas empresas um trabalho de conscientização, para que seja oferecida pelo menos uma bolsa-auxílio. “Além de ser um incentivo para o estagiário, a bolsa constitui uma ajuda para orçamentar os seus estudos, pagar o material etc”, diz Sandra Claudino Fonseca, coordenadora de Estágio do IEL.

Em relação à remuneração, a coordenadora de estágio do curso de Serviço Social Djanyse Mendonça nota que “atualmente, existe uma precarização da força de trabalho” que afeta fortemente os estagiários. Isso leva as empresas a oferecer bolsas-auxílio cada vez mais baixas, ou mesmo a dar apenas uma ajuda de custo (vale-refeição e/ou vale-transporte). O caso é ainda mais grave tratando-se dos estágios curriculares obrigatórios. As empresas, deduzindo que o estudante não precisa de um incentivo monetário – o incentivo acadêmico, na forma de creditação do estágio, é considerado suficiente – amiúdo retiram a bolsa-auxílio. “Eu recebia bolsa no estágio extracurricular no Hospital Oswado Cruz. Fiquei lá para o estágio obrigatório e consegui dar um jeito para prolongar a remuneração”, explica Alessandra. Já Fernanda fala que não teve essa oportunidade, e realiza seu estágio obrigatório nessa mesma entidade sem receber bolsa alguma. O mesmo acontece na Secretaria de saúde da Prefeitura do Recife: somente o estágio extracurricular tem direito a bolsa, que é retirada quando se trata de um estágio obrigatório.

Os setores onde a reportagem encontrou o maior número de estagiários de nível superior são os de Administração, Contábeis, Engenharia Civil, Saúde e Comunicação Social. Quando questionados sobre suas motivações para realizar um estágio, as respostas dos estudantes oscilam entre experiência e remuneração. “Desde que deixou de existir estágio curricular obrigatório no nosso curso de Contábeis, o pessoal estagia para adquirir experiência, e mesmo por causa da bolsa”, fala Tayana, estudante de 3° período no CCSA.

As agências de integração também não têm uma resposta clara nesse ponto. Segundo Ivan Oliveira, do CIEE, os estudantes de nível superior, em cursos como Jornalismo e Publicidade, estão mais atraídos pela experiência do que pela bolsa. Assim, os estudantes desses cursos tentam adquirir conhecimentos e prática fazendo o maior número de estágios possível. Felipe Mendes, formado em Jornalismo na UFPE em 2005, é um caso quase excepcional. “Um jornalista típico trabalharia em qualquer parte. Eu sou um artista que é jornalista, e preciso trabalhar em jornalismo cultural”, diz. Consciente disso já na época de estudante, ele estagiou na Agenda Cultural dois anos, se formou, e hoje é o repórter nessa mesma revista. “Além de ser o único estágio que eu fiz, foi o único para o qual mandei currículo”.

(Inès Hébrard é espanhola, e participa de intercâmbio na UFPE por uma universidade da França)

Combate ao ‘mercado negro’ dos estágios

Voltar à matéria principal

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: