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Cinema Novo

Cinema na Universidade

Novo curso da UFPE abre 50 novas vagas, mas  gera polêmica entre alunos e professores

por Karlos Felipe

Novidade e indiferença são palavras que dificilmente andam juntas. O novo assusta, apaixona ou, simplesmente, traz questionamentos. Tais reflexões servem bem para traduzir os últimos tempos na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Desde o momento em que a instituição decidiu, através de seu Conselho Universitário, aderir ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o REUNI, ficou difícil permanecer indiferente às mudanças que tal processo acarretará na vida da Universidade.

A adesão ao programa idealizado pelo Ministério da Educação (MEC) foi cercada de questionamentos, culminando com a ocupação, durante vinte dias, do prédio da Reitoria por setores do Movimento Estudantil contrários ao programa. Apesar do considerável aporte de recursos previsto (58,4 milhões de reais até 2012), ele dependerá de contrapartidas. A mais significativa delas diz respeito ao aumento de vagas na Universidade, já que estão previstas 1419 novas matrículas até 2012.

Muitas dessas novas vagas virão de novos cursos, dez deles oferecendo matrículas já no Vestibular 2009. Entre as graduações, que se iniciam já no próximo ano, uma das que mais chamam atenção da sociedade e dividiu opiniões é o Bacharelado em Cinema, que disponibilizará 50 vagas.
 
Em defesa do curso – A temática “Cinema” é recorrente no curso de Comunicação Social da UFPE já há algum tempo. Entre os alunos das três habilitações há o interesse pelo tema. “Acho que a maioria da minha turma escolheu Rádio e TV pensando em Cinema”, afirma a estudante Flora Pimentel. “Muita gente que faz Publicidade, Jornalismo, Rádio e TV, na verdade gostaria de estar em um curso de Cinema”, complementa Caroline Vivanco, de Jornalismo.

Tal interesse também pode ser notado no corpo docente, já que vários professores têm no Cinema uma de suas áreas de interesse dentro da Comunicação. Um deles é Paulo Cunha, professor da graduação e atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE (PPGCOM), que pautou sua formação acadêmica no estudo do Cinema e que participou da comissão que desenvolveu o projeto do curso que será instalado a partir de 2009.

Segundo Cunha, a idéia de criar o curso de Cinema já vinha sendo alimentada há algum tempo. “Faz uns cinco anos que começamos a conversar sobre essa possibilidade. Vários dos professores do nosso departamento trabalham com Cinema, além disso, havia gente de outras áreas, como História, Design, Informática, que também tinham esse desejo”, explica, ressaltando também o interesse dos alunos. “Verificamos também entre os estudantes que havia essa demanda.”

Veja aqui o depoimento de Paulo Cunha:

 

Além dessa demanda interna, a própria sociedade também manifestava o desejo de uma formação específica na área, como afirma o cineasta Daniel Bandeira, diretor de Amigos de Risco, vencedor de melhor filme na Mostra Pernambuco do Cine PE 2008. “Até então, quem queria fazer Cinema aqui tinha que sair do Recife para estudar, pois aqui havia apenas algumas oficinas, nada muito aprofundado. Outra possibilidade era ser autodidata mesmo, aprender fazendo, trocando informações com outras pessoas. A criação desse curso é uma resposta da academia à essa demanda que vinha sendo apresentada pela sociedade”, explica.

 

Conflitos

Dito isso, fica claro que a criação de um curso de Cinema na universidade pública é algo bem vindo. No entanto, a forma como se deu a implantação da nova graduação gerou questionamentos. O principal deles é o fato de o novo curso chegar no momento em que as habilitações existentes em Comunicação Social enfrentam problemas, como, por exemplo, número insuficiente de professores, currículo defasado e falta de equipamentos.

Outra crítica que se faz é em relação à rapidez que com que o novo curso deixou de ser apenas uma idéia para tornar-se algo concreto. De fato, apesar das discussões virem tomando corpo já há algum tempo, foi só com o advento do REUNI que decidiu-se formalizar a proposta para a criação do Bacharelado em Cinema.

Rodrigo Martins, estudante de Jornalismo e à época um dos integrantes do Diretório Acadêmico de Comunicação Social (Dacom), constava como integrante da comissão que elaborou o projeto do curso de Cinema votado no pleno do Departamento, no entanto, ele alega que as discussões ocorriam sem diálogo com o alunado – através de seus representantes – e até mesmo sem a participação de alguns professores.

 “Eu era membro da comissão, mas não fui chamado para as reuniões sobre o curso de Cinema. Meu nome constava na proposta que foi votada na reunião de pleno, mas eu sequer havia lido essa proposta, assim como alguns professores. Quando da aprovação, sequer havia um currículo para o curso”, afirma.
Para Rodrigo, os estudantes foram meros expectadores de todo o processo. “Na manhã do dia em que a proposta do novo curso foi apresentada e votada no Conselho Departamental do CAC, houve uma reunião com os alunos. Porém, nesse encontro apenas foi exposto que já estava decidido”, conta.

Assista ao vídeo:

 

Felipe Trotta, também professor do DCOM e relator da proposta que foi apresentada, discorda da visão de que o curso de Cinema foi aprovado de forma precipitada. “De fato foi um processo rápido, mas executar tarefas em um curto espaço de tempo faz parte de nosso cotidiano. Fica parecendo que a coisa foi feita nas coxas, quando não é verdade, houve um estudo, uma elaboração”, defende.

Trotta também se mostra cético quanto a outra crítica feita à instalação da graduação em Cinema, aquela que diz que, após formados, os estudantes não serão absorvidos pelo mercado. “Não existe a figura do emprego na área de Cinema. Existem sim projetos que, cada vez mais, vêm recebendo incentivos e vêm crescendo em número. O estudante não sairá da Universidade para ser contratado por uma empresa”, observa. “Há uma produção de Cinema crescente e sustentável na região”, complementa Cunha.

Quanto às questões estruturais, como o número de professores e equipamentos, que passarão a ser divididos por quatro com a chegada dos graduandos em Cinema, Trotta lembra que o processo de instalação do novo curso será gradual. “Estão previstas a contratação de sete professores e doze técnicos. Nem todos estarão aqui já em 2009, pois que o REUNI é um programa plurianual e os recursos serão liberados através dos anos. No entanto, os alunos também chegarão gradualmente. Não haverá a necessidade de ter todos esses novos profissionais já a partir do próximo ano”, explica.

Momento de mudanças

Apesar das críticas e das dúvidas, a chegada do curso de Cinema serviu para mexer com as estruturas do Departamento de Comunicação Social. A perspectiva de mudança foi o fato novo que faltava para desencadear a tomada de atitudes, como, por exemplo, o surgimento das comissões que visam a reformulação dos currículos das três habilitações existentes, sobretudo na quase-extinta Rádio e TV, que está sendo completamente repensada.

“Era preciso ousar”, afirma Paulo Cunha. “Os questionamentos feitos são válidos, os problemas existem, mas a idéia de que não se poderia dar um passo adiante enquanto essas questões não fossem resolvidas é uma resposta conservadora. O novo curso poderá ajudar a resolver esses problemas do Departamento, com a chegada de mais professores, técnicos, recursos”, complementa.

“O curso de Cinema dará um novo ânimo para os professores já antigos da casa. O grupo que está envolvido nessa nova graduação está altamente motivado e não é só pelo curso novo, mas para trabalhar em um Departamento com novos ares”, afirma Ângela Prysthon, que será a coordenadora do Bacharelado em Cinema.

Enquanto não estiver, de fato, posto em prática, o novo curso continuará caminhando na tênue linha que separa o entusiasmo da desconfiança. “Penso que criar novos cursos nunca pode ser uma coisa ruim. Aumentar opções, abrir possibilidades e despertar interesses é fundamental”, diz Flora, compartilhando o sentimento de muitos dos estudantes, que, no entanto, também concordariam com Carol. “Espero que o novo curso não reproduza os mesmo problemas que os outros já possuem e que ainda não foram resolvidos.”

Como será o novo curso

O curso de Bacharelado em Cinema começará a funcionar já em 2009 e  fará parte do Departamento de Comunicação Social (DCOM). Serão disponibilizadas 50 vagas, divididas em duas entradas. As aulas serão no turno da tarde e a duração prevista para o curso é de quatro anos.

O professor Paulo Cunha explica como será o currículo da nova graduação. “O curso se baseará em três pilares: Teórico-Crítico, para ter uma base sólida, entender a linguagem; Histórico, para ter ciência do que já foi feito até então; e Produção, ou seja, a parte prática”, diz.
 
“Buscamos fazer um curso moderno. Serão poucas disciplinas obrigatórias e muitas eletivas. O aluno terá muita mobilidade, poderá cursar disciplinas em outros cursos, dependendo de seu interesse. Além disso, vamos incorporar as experiências que o estudante tiver fora da Universidade, desde o principio do curso”, afirma.  “No último ano, o estudante não terá aulas. Será livre para ele desenvolver o projeto que desejar na área. Se quiser fazer um filme, terá um ano para fazê-lo, o mesmo se quiser apresentar críticas sobre Cinema etc”, esclarece Cunha.
 

Com o curso nesses moldes, Ângela Prysthon espera formar mais que simples técnicos no fazer cinema. “O curso vem dar legitimidade institucional e acadêmica a uma excelência já insinuada pela vibrante produção do estado. Acho que a sua importância vai além da formação técnica, aspecto, sem dúvida, relevante. Mas é preciso frisar que o domínio do pensamento sobre o cinema, a formação de sensibilidades e de críticos também estão contemplados nesse projeto. Isso significa também uma tomada de posição de vanguarda, tanto no campo prático, como no teórico”, analisa.

 

Sobre a contratação de professores, Cunha diz que até o fim de 2009 o novo pessoal já deve estar no DCOM. “Já nesse segundo semestre de 2008 abriremos concurso para a contratação de três dos sete professores e cinco dos doze técnicos. Pretendemos finalizar esse processo no segundo semestre de 2009”, encerra.

 

 

Veja outros vídeos:

Diogo Max, estudante de Jornalismo

 

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