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Cara e Coroa

Por Mirella Pontes e Rafaella Correia
lella_pontes@hotmail.com
raafinha@gmail.com

Uma face

Nossa equipe visitou o HC no dia 16 de maio com o intuito de analisar a qualidade do serviço prestado à comunidade e, para isso, entrevistou alguns pacientes. Das 32 pessoas que participaram da pesquisa, 21 afirmaram que sempre conseguem atendimento; 26 confiam no atendimento prestado e concordam que recebem a devida atenção dos médicos e funcionários; e 18 dependem exclusivamente dos serviços do HC. Dessas pessoas, apenas duas foram vítimas de erro médico, ambas relacionadas a contra-indicações de medicamentos, e nenhum caso de infecção hospitalar.

Não encontramos as filas enormes, rótulos dos hospitais da rede pública, e a médica Bruna Marques nos explicou o motivo: os médicos, antes de liberar o paciente, já marcam a próxima consulta, evitando um caos futuro. Mas se eles faltarem será muito difícil remarcar, porque irá interromper o tratamento e por isso “tentamos conscientizá-los para, de maneira alguma, faltarem à consulta”, diz ela. E certamente a demora para marcar as consultas foi a maior reclamação dos usuários do HC.

Luis Pereira tem 28 anos e mora em Belo Jardim. Ele faz tratamento renal no Hospital das Clínicas. Nem sempre consegue atendimento para os serviços que necessita no H.C. Está sem fazer um exame de urocultura por falta de materiais. Já ficou um mês internado devido a este tratamento e não faz queixas sobre a alimentação do hospital. Sente falta de equipamentos para a realização de uma cirurgia a laser que necessita, além de profissionais mais qualificados para o atendimento ao público. Mais consultas precisam ser realizadas, para que ele e muitos outros não fiquem esperando durante sete meses pelo atendimento. Uma consulta com um nutricionista só ocorreu depois de seis meses da marcação. A de nefrologia oscila entre dois e três meses. Luis Pereira acredita que o número de leitos e enfermarias, bem como a sua estrutura atendem às expectativas dos pacientes.

Foto por Carolina Vasconcelos

Já Ivonete Maria, 68 anos, mora na comunidade de Roda de Fogo e vai ao HC uma vez por mês para se consultar com um pneumologista. É uma das exceções que conseguem o medicamento gratuitamente: o HC a encaminha para uma farmácia popular. Já foi internada e diz que a alimentação do hospital é boa. Elogia o atendimento que recebe no hospital. Reclama da demora para consultas: só consegue atendimento com um médico ortopedista de 4 em 4 meses. A sua próxima consulta com um reumatologista só foi marcada para 2009. Confia no atendimento que recebe e acha que os médicos são capacitados e preparados para atendê-la. Acha que as consultas para algumas especialidades médicas poderiam ocorrer com mais freqüência. Ela foi vítima de erro médico: os remédios oferecidos por uma médica do hospital estavam com a validade vencida. Dona Ivonete só percebeu a negligência depois que passou mal após ingerir os comprimidos. Não optou por denunciar o caso já que ela não sofreu maiores danos.

O depoimento de Maria do Socorro, 57 anos, que mora em Jaboatão dos Guararapes não foi muito comum entre os entrevistados. Ela sempre utiliza os serviços do H.C. além de policlínicas perto de sua residência. E não economiza nas reclamações: reclama que alguns médicos sequer colocam seus nomes nas receitas. “Para ser um Hospital Federal acho que não deveria ser assim”. Consegue alguns medicamentos no próprio hospital como a insulina. Os outros medicamentos precisam ser comprados por ela. Realiza todos os exames no HC, quando não há material ela espera até que os mesmos estejam disponíveis. Maria do Socorro é diabética e tem glaucoma. Já foi vítima de erro médico: os remédios receitados eram inadequados para o seu problema. Reclama do serviço telefônico gratuito oferecido pelo HC para marcação de consultas: “Esse 0800 não funciona”.

É comum encontrar pacientes que vieram do interior do estado, como é o caso de José Francisco da Silva, 61 anos, que mora em Goiana. Ele reclama da falta de aparelhos e equipamentos necessários para a realização de uma ultra-sonografia. Ele espera há mais de um ano por esse exame. O exame não foi realizado ainda por falta de vaga e equipamento. Diz que o hospital está sempre muito cheio. Demora 7 meses para ser atendido. Mostrou a sua ficha de atendimento na qual sua próxima consulta com um urologista estava marcada para dezembro de 2008. Segundo José Francisco, os médicos exigem que o exame de ultra-sonografia seja realizado no próprio H.C., o que o impossibilita de realizar o exame em outro local. O paciente fica, assim, dependente do hospital, que não oferece o exame em questão. Os seus medicamentos são caros e ele não consegue os remédios de graça. “Duas caixas de remédios que tomo custam 120 reais. A minha sorte é que tenho uma filha que me ajuda”.

Pacientes do HC: Foto Por Rafella Correia

Assim como o Sr. João Francisco, Eliane Soares tem 36 anos e também reside no interior. Moradora da cidade de João Alfredo, ela costuma esperar 6 meses pelas consultas de prevenção de câncer de mama e de colo do útero. Reclama da falta de funcionários para atender a demanda de pacientes. Acostumada com os hospitais particulares da cidade onde mora, Eliane se assustou com a grande quantidade de pacientes no hospital. Era a primeira vez que ela ia ao HC, pois a sua cidade não oferecia o serviço do qual ela estava precisando. Também alertou para as péssimas condições de higiene dos banheiros do hospital. (MP)

E o outro lado da medalha

Médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos, secretários, serventes, estudantes. São os profissionais que vivenciam de perto a realidade do Hospital das Clínicas da UFPE, e conhecem suas carências, seus méritos, suas peculiaridades. Descampado procurou ouvir alguns desses funcionários que, tanto quanto os pacientes, têm muito a dizer sobre a situação do hospital.

Na realidade, a análise geral é que os funcionários são os grandes responsáveis pelo mérito do Hospital das Clínicas em particular. Isso porque, por ser um hospital-escola, concentra profissionais extremamente ativos e qualificados, dedicados ao ofício. De muito se reclamou sobre as condições do hospital, mas a qualidade dos serviços foi muitas vezes louvada pelos próprios funcionários, que não hesitaram em reconhecer o bom preparo dos colegas.

Maria Senhorinha trabalha como enfermeira no hospital há 24 anos, sendo os 5 últimos dedicados ao Setor de Pronto-Atendimento do complexo, o SPA. Antes de realizar o concurso para entrar no HC, passou por um estágio no Hospital Agamenon Magalhães, no bairro da Tamarineira, e já trabalhou nos hospitais particulares Santa Joana, localizado na Madalena e no Real Hospital Português, em Boa Viagem. Ela conta que teve um choque ao iniciar o trabalho no HC, frente à falta de recursos. “O HC é um órgão federal. E de Brasília até aqui tem muito desvio” acusa ela, que reclama do material “de péssima qualidade” e de equipamentos quebrados. Mesmo assim, Senhorinha já rejeitou outras oportunidades de emprego para dedicar-se exclusivamente ao hospital, e vê seu lado positivo: “O conhecimento aqui é muito maior que nos hospitais particulares”, diz ela.

Maria Senhorinha mostra as instalações do hospital: Foto Por Rafaella Correia

Assim como Senhorinha, Andréa Dantas, atualmente residente de reumatologia no hospital, reclama das condições de trabalho. Já atuando como residente no hospital há 5 anos em outras áreas, e somando-se seus anos de graduação em constante contato com o HC, pode-se dizer que Andréa tem uma visão geral do hospital como um todo. E de todo esse tempo, Andréa pôde concluir que faltam medicamentos, equipamentos, e a estrutura deixa a desejar. “Falta tudo” resume ela, insatisfeita.

Como um déficit do hospital, Andréa aponta a ausência de atendimento de emergencial no complexo, o que obriga os estudantes a estagiar em outros hospitais para construir conhecimento nessa parte. O projeto de construção de uma unidade de emergência no HC existe oficialmente há dois anos, e, segundo Andréa, “é uma lenda”. “Desde que entrei na universidade escuto os boatos, mas não vejo ninguém fazer nada por isso” diz ela.

Sobre o projeto, o Dr. Antonio Correia, pediatra do hospital, explica que foi realizado numa parceria do Ministério da Saúde com os hospitais universitários. A resposta para a falta de movimentação acusada por Andréa Dantas, ele esclarece rapidamente: “O projeto existe, mas não tem dinheiro”. Para colocá-lo em prática, o Dr. Correia estima que teria que se contratar cerca de 200 novos profissionais para trabalhar na área, além de realizar-se uma reforma radical no prédio do SPA, onde funcionaria, e adquirir o material necessário. Uma gama de necessidades que o levam a crer que “o projeto não vai sair do papel, porque não tem verba”.

Diferente de Andréa Dantas, a estudante de medicina Bruna Marques não vê na ausência de uma emergência um “déficit” do hospital. Segundo ela, cada hospital possui áreas que tem melhor e pior cobertura, e isso é um fenômeno normal. Diz que o HC atende a grande maioria das especialidades da medicina, mas que o atendimento funciona de maneira eletiva, isto é, tudo tem que ser marcado. Ela elogia a qualidade do atendimento do hospital, mas diz que “se for preciso correr, é melhor não vir pra cá”. É um ponto fraco do hospital, assim como outros hospitais o têm, e também é possível listar, seja no Hospital das Clínicas ou em tantos outros, áreas a serem citadas como referência. (RF)

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