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“Tu é gay, boy?”

A CEU masculina da UFPE tem 48 dormitórios, cada um com capacidade para quatro pessoas. Um novato teria direito de se estabelecer em qualquer um dos quartos que tivesse espaço. No entanto, ao entrar na casa, o estudante só está com a vaga garantida dentro dela, não no quarto. Sendo assim, para consegui-lo geralmente se passa por uma “seleção paralela”, uma recepção que pode ser traumatizante.

Em cada quarto há uma pequena hierarquia de poderes: o residente mais antigo preside a escolha dos novatos.
“-Tu é gay, boy?” é a pergunta que geralmente vem antes de “como vai, qual o seu nome, de onde você é?”. Às vezes eles não esperam nem respostas, se o candidato ao espaço tiver uma aparência ou curso “suspeito” já é o suficiente para barrá-lo: “Pessoas que estudam no CAC (Centro de Artes e Comunicação) são suspeitas pois o centro tem uma má fama. Com o CFCH (Centro de Filosofia e Ciências Humanas) a gente também é meio desconfiado”, revela Luís*. Ele completa: “É uma questão de escolhas. Se eu tenho opções, a pessoa do grupo suspeito será desfavorecida. Não é nem por mim, é por que não pega bem. Não quero ficar mal falado por aí”.

Sebastião Célio, 21 anos, estudante de Ciências Biológicas, chegou de São José do Egito para morar na casa há menos de um ano e conta que além da constrangedora interrogação sobre sua orientação sexual ainda foi indagado com perguntas do tipo: “Quem é teu pai lá em São José do Egito? É vereador? Vai, rapaz, você já conseguiu a vaga na casa, não precisa mentir mais não, aqui não é entrevista com assistente social, não”. Em alguns dormitórios já chegaram a ponto de pedir ao novato uma apresentação pessoal em Power Point.

A diretoria da CEU é composta oficialmente por sete alunos residentes, escolhidos por eleições diretas todos os anos. Essas diretorias se dividem em coordenações, dentre elas a Coordenação de Alojamento, que tem a responsabilidade de indicar o lugar que o estudante ocupará. A nova diretoria, que assumiu a casa no início deste ano, comemora um feito importante por ter conseguido alojar os últimos novatos que chegaram na casa em uma semana. Admitem que não é a marca ideal, já que eles deveriam dormir em seus quartos no primeiro dia em que chegam, mas comparando com os estudantes que passavam quase três meses dormindo no NAE (Núcleo de Apoio a Eventos, que fica ao lado da CEU feminina), no quarto de hóspedes ou até mesmo se estabeleciam na sala de estudo da casa como se não tivessem direito à cama própria, é uma grande evolução.

A assistente social do Departamento de Assuntos Estudantis, o DAE, Laura Carneiro Lacerda, comenta que já teve que interceder encaminhando os novatos que não conseguiam aceitação em nenhum quarto. “Infelizmente nós não temos como fiscalizar a casa o dia inteiro, somos só duas assistentes sociais. Apenas ficamos sabendo disso quando a pessoa vem aqui para falar”, afirma. Hoje um dos diretores da casa, Jadilson Miguel, 24, chegou de Vicência há quatro anos e passou um mês sem encontrar quarto para ficar. “Fui reclamar ao DAE e entrei em um dormitório. Só que os três rapazes disseram para que eu arranjasse outro lugar, e que eles iriam me deixar dormir ali provisoriamente. De imediato respondi que não sairia e eles não gostaram, mas tiveram que se calar, afinal todos têm os mesmos direitos aqui dentro”, relata.

Até pouco tempo os estudantes que eram colocados na casa iam para quartos definidos, no entanto, o DAE acredita que fazer isso é diminuir a autonomia e a democracia na casa dos estudantes. (MI)

*Luís é um nome fictício que a reportagem dessa matéria utilizou para proteger a identidade de sua fonte.

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