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O Mundo Com Outros Olhos

UFPE MOSTRA EXEMPLO DE VIDA E SUPERAÇÃO DE QUEM PASSOU A VER O MUNDO COM OUTROS OLHOS

Por Luciana Martins
lu_martinssilva@hotmail.com

 
 

 

A perda da visão representa, para muitos, o final da alegria de viver. Não poder mais enxergar o mundo trás, na maioria das vezes, uma sensação de impossibilidade de praticar atividades sociais e familiares. Mas, a UFPE mostra que exemplos de superação existem para provar que não poder mais ver é apenas um detalhe diante da força e da perseverança do ser humano.

A vida de José Carlos Araújo, 25 anos, se modificou totalmente quando ele tinha apenas nove anos de idade. Após uma cirurgia de catarata mal sucedida que acarretou na atrofia do nervo ótico, Carlão – como é conhecido pelos amigos da faculdade- foi perdendo gradativamente a visão até atingir o estágio de cegueira total. Depois disso, ele passou por todo um processo de adaptação a um mundo novo que precisaria ser enfrentado. Durante sua vida escolar, Carlão não estudou em colégios especiais nem teve contato com o braile, foi uma luta a ser vencida, mas o jovem conseguiu concluir os estudos. Logo depois, ele prestou vestibular para Fisioterapia por duas vezes, até passar na terceira tentativa no curso de Educação Física da UFPE. A prova foi feita por um fiscal que marcava o gabarito e fazia a redação pelo estudante, mediante suas respostas. Agora no sétimo período, prestes a terminar a graduação, Carlão lembra que no início da graduação houve muitas dificuldades, tanto estruturais, quanto no convívio com estudantes e funcionários do Campus, mas acredita que as pessoas não faziam por maldade, e sim por falta de costume.

Com o tempo, algumas dificuldades foram sendo aperfeiçoadas para atender ao estudante – primeiro aluno cego do curso – e, hoje, já existem na Universidade softwares de voz e um computador adaptado para deficientes visuais. Além disso, a UFPE paga uma bolsa a um estudante para que este auxilie no cotidiano acadêmico do aluno cego. Apesar de certas melhorias, ainda existe precariedade em relação aos recursos para adaptação dos deficientes, o jovem acredita que deveria haver uma reurbanização na UFPE, para melhor atender ao acesso do portador de deficiência às salas de aula, como a retirada de calçadas quebradas, além de uma capacitação dos funcionários para atender as necessidades de um grupo de alunos que apresenta dificuldades.

Carlão não passa seu tempo apenas estudando, ele também se dedica, e com empenho, aos esportes como judô, atletismo, arremesso e, principalmente, jiu-jitsu, seu preferido. Diariamente ele vai à faculdade sozinho, sai do Cabo de Santo Agostinho para a Cidade Universitária de transporte coletivo para assistir as aulas e treinar jiu-jitsu três vezes por semana, esporte em que já é faixa azul. Seu treinador, Marcos Vinícius, fala que Carlão é um excelente aluno e o ajuda muito nos treinos, “Carlão é uma pessoa maravilhosa, conversamos muito sobre o curso e sobre o jiu-jitsu, agradeço a Deus a oportunidade de poder treiná-lo”, conta o treinador. Além de Marcos, o estudante tem vários amigos como Leivdy Diniz, também graduando em Educação Física, amigo que sempre está ao seu lado. “Aprendi muito com ele, aprendi a dar valor a pequenas coisas que para ele é fundamental, como subir uma calçada. Estudamos sempre juntos e sempre procuro ajudá-lo”, conta Leivdy.

Carlão, além de todas as suas atividades acadêmicas e esportivas, é integrante da Associação Pernambucana de Cegos, espaço que os deficientes visuais têm para reivindicar seus direitos. Ele participa também de um projeto da Universidade chamado Atleta Para-Olímpico ou Para-Esporte, o qual trabalha com treinamentos de atletismo para jovens com alguma necessidade especial e tem a coordenação do professor Luiz Carlos. Apesar da importância dessa integração dos deficientes com o esporte, o projeto não conta com ajuda financeira do governo e a única participação da Universidade e que a mesma cede o local para os treinos. Quando perguntado a respeito de preconceitos, se teve ou se tem medo de sofrê-los na UFPE, ele diz que não tem medo, pois procura sempre os seus direitos como também fazer tudo que se sente capaz.

 Hoje, o estudante tem uma vida normal, está namorando e tem um filho de dois anos, além de ser muito querido entre seus amigos. É visível a força de vontade e a crença na superação dos que, assim como ele, passaram a ver o mundo de maneira diferente, não mais com os olhos, e sim com a sensibilidade. “Cada vez mais as pessoas com algum tipo de deficiência vêm mostrando que são capazes de realizarem várias atividades e modalidades esportivas, é importante dar oportunidade e incentivo para que sejam bem sucedidas”, assegura Carlão. (L.M) 

 Veja o treinamento de Jiu Jitsu de Carlão:

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